Sunday, November 06, 2016

Dr. Daniel Pipes: Economia Islâmica: O que Isto Significa?

http://pt.danielpipes.org/bios/

Pequena biografia de Daniel Pipes

Daniel Pipes é diretor do Middle East Forum e colunista premiado dos jornais New York Sun e The Jerusalem Post. Sua obra mais recente, Miniatures: Views of Islamic and Middle Eastern Politics foi publicada no final de 2003. Seu website, DanielPipes.org, é a fonte de informação especializada em Oriente Médio e Islã com o maior número de acessos registrados na Internet. O leitor encontra ali um arquivo de todos os textos do autor e, mediante inscrição, recebe por e-mail os novos artigos publicados.
Dr. Pipes foi um dos raros analistas a perceber a ameaça do Islã militante ("Despercebida para a maioria dos ocidentais", ele escreveu em 1995, "uma guerra foi declarada de modo unilateral à Europa e aos Estados Unidos"). O Boston Globe afirma que, "se tivessem dado crédito às advertências de Pipes, é possível que o 11 de Setembro nunca acontecesse". O Wall Street Journal considera Pipes "uma autoridade em Oriente Médio". A MSNBC define-o como um dos mais conhecidos "luminares da política do Oriente Médio".
Ele obteve sua Licenciatura (1971) e Doutorado (1978) em História pela Universidade de Harvard. Estudou no exterior por seis anos, três dos quais no Egito. Dr. Pipes fala o francês e lê o árabe e o alemão. Lecionou nas universidades de Chicago e de Harvard e ainda no U.S. Naval War College. Exerceu vários funções no governo americano, duas por indicação do presidente dos Estados Unidos - a de vice-presidente da Comissão Fulbright, programa de bolsas de estudos para estrangeiros, e a de membro do conselho diretivo do U.S. Institute of Peace. Foi diretor do Foreign Policy Research Institute de 1986 a 1993.
Daniel Pipes é presença constante nos debates políticos da televisão americana, participando de programas como ABC World News, CBS Reports, Crossfire, Good Morning America, NewsHour with Jim Lehrer, Nightline, O'Reilly Factor, e The Today Show. Foi entrevistado pelas mais importantes redes de televisão do mundo, entre elas a BBC e a Al-Jazeera, e deu conferências em vinte e cinco países. Presta consultoria em assuntos do Oriente Médio para grandes companhias financeiras, industriais e de serviços; firmas de advocacia; conselhos profissionais; grupos comerciais, agências do governo americano e tribunais de Justiça nos Estados Unidos e no Canadá.
Daniel Pipes escreve para revistas como Atlantic MonthlyCommentaryForeign AffairsHarper's, National ReviewNew Republic e The Weekly Standard. Mais de cem jornais publicam seus artigos, entre eles, o Los Angeles Times, o New York Times, o Wall Street Journal e o Washington Post. Suas análises são divulgadas por centenas de websites, traduzidas para vinte e quatro idiomas.
Daniel Pipes escreveu doze livros.
Quatro versam sobre o Islã: Militant Islam Reaches America (2002), The Rushdie Affair (Birch Lane, 1990), In the Path of God (Basic Books, 1983), e Slave Soldiers and Islam (Yale University Press, 1981).
Três são dedicados à Síria: Syria Beyond the Peace Process (1996), Damascus Courts the West (Washington Institute, 1991), e Greater Syria (Oxford University Press, 1990).
Quatro abordam outros tópicos relativos ao Oriente Médio. The Hidden Hand (St. Martin's, 1996) analisa a visão que árabes e iranianos têm de si mesmos e do mundo exterior. An Arabist's Guide to Colloquial Egyptian(Foreign Service Institute, 1983) sistematiza a gramática da língua árabe falada no Egito. The Long Shadow(Transaction, 1989) e Miniatures (2003) contêm ensaios sobre vários temas relacionados ao Islã e ao Oriente Médio.
Conspiracy (Free Press 1997) estabelece a importância de teorias conspiratórias na políticas européia e americana da era moderna.
Pipes editou duas coletâneas de ensaios, Sandstorm (UPA, 1993) e Friendly Tyrants (St. Martin's, 1991). É ainda o co-autor de mais onze livros.
Daniel Pipes faz parte de cinco conselhos editoriais, testemunhou como especialista em inúmeras comissões do Congresso americano e trabalhou em quatro campanhas presidenciais. É citado nos índices Who's Who in the EastWho's Who in America e Who's Who in the World, publicados pela editora Marquis. Recebeu títulos honoríficos de universidades nos Estados Unidos e na Suíça.
Em 1994, Pipes fundou o Middle East Forum (www.meforum.org), uma organização independente e sem fins lucrativos que conta com um orçamento de mais de um milhão de dólares para a missão de "promover os interesses americanos" por meio de publicações, pesquisa, consultoria, divulgação e educação pública. O MEF publica o periódico Middle East Quarterly, desenvolve o Campus Watch (www.campus-watch.org), um projeto que tem por objetivo analisar, criticar e aperfeiçoar os estudos sobre o Oriente Médio, e ainda patrocina eventos em quatro cidades.
Atualizado em dezembro de 2004

http://pt.danielpipes.org/4974/economia-islamica-o-que-isto-significa

Economia Islâmica: O que Isto Significa?

por Daniel Pipes
Jerusalem Post
26 de Setembro de 2007
Original em inglês: Islamic Economics: What Does It Mean?
Tradução: Joseph Skilnik
Embora o mundo exterior dificilmente tenha notado, uma importante e rapidamente crescente quantia de dinheiro está atualmente sendo administrada de acordo com a lei islâmica, a Sharia. De acordo com um estudo, "no final de 2005, mais de 300 instituições em mais de 65 jurisdições estavam administrando ativos no valor aproximado de US$700 bilhões a US$1 trilhão de uma maneira compatível com a Sharia."

A economia islâmica está crescentemente se tornando uma força capaz de competir com os brilhantes portfolios de exportadores de petróleo, assim multiplicando os instrumentos financeiros islâmicos (como hipotecas sem juros e títulos da sukuk). Mas o que significa tudo isso? Será que instrumentos compatíveis com a Sharia poderiam desafiar a ordem financeira internacional existente? Poderia um regime econômico islâmico, como alega um entusiasta, realmente implicar o fim da injustiça, dado que "o Estado cuidaria da provisão e do bem-estar de todos os povos"?

Timur Kuran, professor de economia e ciência política da Universidade de Duke.
Para entender este sistema, o lugar ideal para começar é o Islã e Mammon, um livro brilhante de Timur Kuran, escrito quando ele era (ironicamente, quando dava pesado apoio à economia islâmica Saudita) professor da Universidade da Califórnia do Sul Rei Faisal do Pensamento e Cultura Islâmica.
Atualmente lecionando na Universidade Duke, Kuran descobriu que a economia islâmica não vem desde Maomé mas trata-se de uma "tradição inventada" que apareceu nos anos quarenta na Índia. A noção de uma disciplina "de uma economia que é distintamente e ego-conscientemente islâmica é muito nova". Até mesmo os muçulmanos mais instruídos teriam ficado espantados há um século pelas "economias islâmicas".
A idéia era principalmente fruto da imaginação do intelectual islâmico, Abul-Ala Mawdudi (1903-79), para quem a economia islâmica serviu como um mecanismo para alcançar muitas metas: minimizar relações com não muçulmanos, fortalecer o senso coletivo de identidade muçulmana, estender o Islã para uma nova região da atividade humana, e modernizar sem se ocidentalizar.

Como disciplina acadêmica, a economia islâmica decolou na metade dos anos 60; adquiriu importância institucional durante o boom do petróleo nos anos setenta, quando os Sauditas e outros exportadores de petróleo muçulmanos, pela primeira vez possuindo somas significativas de dinheiro, forneceram ao projeto uma "vasta assistência".
Proponentes da economia islâmica fazem duas alegações básicas: a de que a ordem capitalista predominante falhou e que o Islã oferece o remédio. Para avaliar a última afirmação, Kuran dedica intensa atenção para entender o atual funcionamento da economia islâmica, focalizando nas suas três principais alegações: a de que aboliu os juros, que alcançou a igualdade econômica e que estabeleceu uma ética comercial superior. Nos três casos, ele encontrou um fracasso total.

1) "Em nenhum lugar os juros foram purgados das transações econômicas e em nenhum lugar a islamização da economia desfruta de apoio em massa". Exóticas e complexas técnicas de compartilhamentos de lucros e perdas como a ijara, mudaraba, murabaha e a musharaka, todas envolvem pagamentos de juros discretamente disfarçados. Bancos que alegam ser islâmicos "na realidade se parecem mais com quaisquer instituições financeiras modernas do que alguma coisa da herança do Islã". Em resumo, não há quase nada islâmico sobre o sistema bancário islâmico – que explica de longe como o Citibank e outras instituições Ocidentais obtém depósitos "compatíveis com o Islã" bem maiores do que nos especificamente bancos islâmicos.

2) "Em nenhum lugar" houve sucesso na meta de reduzir a desigualdade pela imposição do imposto de zakat. Na realidade, Kuran acha que este imposto "não necessariamente transfere seus recursos para os pobres; pode sim transferí-los para outro lugar ". Pior ainda, na Malásia, a tributação de zakat, com o intuito de ajudar o pobre, ao contrário, parece servir como "um conveniente pretexto para promover amplos objetivos islâmicos e para forrar os bolsos de funcionários religiosos".

3) "A renovada ênfase na moralidade econômica não teve nenhum efeito apreciável no comportamento econômico". Isso porque, junto com o socialismo, "certos elementos da agenda econômica islâmica encontram-se em conflito com a natureza humana".

Kuran rejeita por completo o conceito de economia islâmica. "Não existe nenhum modo distintamente islâmico de se construir um navio, ou de defender um território, ou de curar uma epidemia ou de prever o tempo", então por que o dinheiro? Ele conclui que o significado da economia islâmica não está na economia e sim na identidade e na religião. Esse esquema "promoveu a expansão de correntes anti-modernas… de pensamento através do mundo islâmico. Também nutriu um ambiente conducente para a combatividade Islâmica".
Realmente, a economia islâmica contribui possivelmente para a instabilidade global econômica "impedindo reformas sociais institucionais necessárias para o progresso saudável econômico". Em particular, se os muçulmanos fossem realmente proibidos de pagar ou de cobrar juros, eles seriam relegados "às margens da economia internacional".

Em resumo, a economia islâmica tem importância econômica banal, mas apresenta um perigo político substancial e maligno.